Cavaco e eu


Tive meu primeiro cavaquinho quando morei em Salvador.

Era incrível a quantidade de garotos que sabiam tocar o instrumento naquela cidade, eu ficava encantado quando via as famosas rodas de samba sendo formadas, e os cavaquinistas levando alegria para as pessoas. Por ser baiano, naturalmente, me acostumei a escutar o cavaco acompanhando o swing... Harmonia do Samba, Oz Bambaz, Psirico, Pagodart, Dignow do Brasil... estas eram as bandas de sucesso em Salvador naquele ano de 2003.

Minha tia tinha uma loja de manutenção de computadores na cidade. Por acaso, um dia avistei o que deveria ser um cavaco em cima de uma prateleira na loja dela. Estava com uma estrutura quase pronta. Lembro que não tinha cordas, tarrachas e estava com a madeira semi-crua. Era um cavaco desses com o braço grosso, bem rústico.

Depois de descobrir que o instrumento inacabado era de uma amiga, fui atrás de autorização para tentar finalizar a construção do cavaco, ou melhor, acredito que seria uma reforma, pois creio que o instrumento já teria sido usado antes.

Após receber a autorização, peguei um dinheiro que eu tinha e fui ao Pelourinho. Lá eu comprei as cordas e a tarracha, das mais baratas que tinha, devido a minha condição...

Depois levei o cavaco, as cordas e a tarracha para um amigo que tinha o instrumento. Estava ancioso para ver o instrumento montado e poder finalmente aprender a tocar. Meu amigo sugeriu que antes de montar, poderia lixar e pintar para ficar com uma aparência melhor. Eu aceitei, e o cavaco foi parar nas mãos de um pintor de carros que depois de uma semana trouxe ele todo pintado de verde e dourado.

Montamos o instrumento e comecei a dar minhas primeiras batidas na corda. Eu era horrível, coitado de quem estava por perto...
Mas como todo bom baiano, eu tinha a música nas veias e não demorei a pegar o jeito. Ainda hoje, busco novidades, procuro aprender e aprimorar técnicas.

O primeiro cavaco foi inesquecível, mas devolvi para a ex-dona, logo após ter comprado o segundo cavaco numa viagem a Cabo Frio. O segundo cavaco foi muito útil para a aprendizagem, por ser de qualidade superior ao primeiro, e foi doado ao meu sobrinho para que ele aprenda a tocar o instrumento. Agora estou com o meu terceiro cavaco, comprei ele durante uma viagem à Maceió, muito bonito, braço fino, saída, som agradável...

Enfim, poderia contar muitas coisas, afinal são alguns anos de experiência com o cavaco, mas paro por aqui, desejando que vocês possam se divertir e aprender um pouco visitando este blog.

Grande abraço,

Gabriel Geralle (Geralle do Cavaco)
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